Não sei se é impressão minha ou se estamos realmente enfrentando uma sensível escassez de pessoas interessantes. Parece que o ser humano está ficando tão acomodado em um padrão "gelatina de morango" que está perdendo o que ele tem de mais interessante que é a diversidade e a capacidade de reagir de forma variada aos mesmos estímulos.
É, eu sei. Minha carroça está uns dois quilômetros à frente dos bois. Vou começar de novo. Desta vez com os bichinhos no lugar certo.
De onde eu vejo, me parece que as pessoas andam tão sedentas de se enquadrar no grupo que as cores pessoais estão cedendo para se encaixar no coletivo. Até a rebeldia e o enfrentamento de padrões já está virando um padrão. Dito desta forma fica bem estranho, eu sei, mas já houve um tempo em que enfrentar autoridades seja com defesas apaixonadas de crenças ou com saias curtas era verdadeiro e desafiador. Qual o desafio que existe hoje em se deixar fotografar despida para uma revista masculina ou bancar o advogado do diabo e defender o lado contrário de uma questão em uma reunião apenas como exercício para "pensar fora da caixa"? Nenhum. Isso é o esperado, é o caminho normal.
A minha defesa não é pela acomodação ou pela rebeldia e quebra de paradigmas. É pela escolha do caminho seguindo a sua própria orientação. Ter crenças e convicções, defendê-las ou modificá-las, cedendo a argumentos melhores, mas sempre se deixando guiar por você. Pelo melhor você que pode ser oferecido naquele momento.
Isso é que faz o ser humano rico, a autenticidade. O autêntico não precisa necessariamente ser apresentado de forma agressiva nem precisa ser novo ou quebrar padrões. Acreditar na gentileza pode ser subversivo quando autêntico. Declarar abertamente a emoção sem revestí-la de proteção ou cinismo pode ser chocante para muitos. O que importa é que o objetivo não é subverter ou chocar mas ser o mais verdadeiro que você pode ser sem invadir o espaço alheio, ou ainda, se precisar invadir o espaço alheio que isso seja feito com o máximo de gentileza possível.
Talvez o ser humano não esteja, de verdade, ficando desinteressante. Talvez ele esteja apenas guardando suas melhores cores com medo que seus tons sejam considerados demasiadamente claros e pastéis. Sabe de uma coisa? Depois de tantas cores berrantes, seria quase um carinho para os sentidos nós voltarmos a conviver com tons mais amenos.
Que tal darmos uma chance aos tons pastéis que nos habitam? Eu adoraria ver isso.
18 de nov. de 2009
17 de nov. de 2009
Cores
Eu ia falar sobre pessoas interessantes mas percebi que precisaria explicar algumas coisas antes para que vocês entendam melhor o meu post sobre este assunto. Eu preciso antes explicar sobre o meu conceito de pessoas e suas cores.
Na minha opinião, as pessoas não possuem defeitos e qualidades pois esta é uma avaliação de foro pessoal. O que eu posso considerar defeito, uma outra pessoa pode considerar qualidade. Eu posso considerar teimosia uma característica absolutamente irritante enquanto você pode considerar uma qualidade notável. Partindo deste conceito, fica mais fácil considerar que as pessoas possuem cores e cada um reage a elas da mesma forma que reagimos a um quadro. A forma, a intensidade e a distribuição destas cores na tela é que vão montar um quadro que podemos ou não gostar.
Algumas pessoas podem possuir vermelhos muito fortes mas como eles são mesclados de forma tão equilibrada com os azuis ou os verdes, o quadro final me agrada. Outras pessoas possuem cores lindíssimas, e eu consigo reconhecer esta beleza, mas possuem algumas pinceladas de amarelo em locais que me incomodam profundamente, o que não permite que eu consiga realmente gostar da idéia de ter este quadro pendurado na minha parede.
Eu tenho certeza de que esta associação que faço pode parecer confusa e desnecessária para alguns mas você já imaginou a carga de preconceito que esta avaliação elimina? Por exemplo, eu não costumo apreciar a cor da avareza mas não preciso descartar um futuro amigo devido a esta cor se em contrapartida ele tem as cores da verdade e da lealdade bem mais exacerbadas. Eu posso muito bem lidar com esta paleta de cores e só deixar uma anotação mental para não contar com ele para uma necessidade financeira ou não convidá-lo para programas mais dispendiosos se eu não estiver disposta a pagar. Não é simples? Com o preconceito eliminado, eu não preciso deixar de conviver com pessoas, qualidades e cores que me agradam em função de algumas pinceladas desastradas em um quadro bastante agradável.
Tentem exercitar isso com pessoas conhecidas e me digam se não será bem mais fácil de lidar com os "defeitos" alheios.
Na minha opinião, as pessoas não possuem defeitos e qualidades pois esta é uma avaliação de foro pessoal. O que eu posso considerar defeito, uma outra pessoa pode considerar qualidade. Eu posso considerar teimosia uma característica absolutamente irritante enquanto você pode considerar uma qualidade notável. Partindo deste conceito, fica mais fácil considerar que as pessoas possuem cores e cada um reage a elas da mesma forma que reagimos a um quadro. A forma, a intensidade e a distribuição destas cores na tela é que vão montar um quadro que podemos ou não gostar.
Algumas pessoas podem possuir vermelhos muito fortes mas como eles são mesclados de forma tão equilibrada com os azuis ou os verdes, o quadro final me agrada. Outras pessoas possuem cores lindíssimas, e eu consigo reconhecer esta beleza, mas possuem algumas pinceladas de amarelo em locais que me incomodam profundamente, o que não permite que eu consiga realmente gostar da idéia de ter este quadro pendurado na minha parede.
Eu tenho certeza de que esta associação que faço pode parecer confusa e desnecessária para alguns mas você já imaginou a carga de preconceito que esta avaliação elimina? Por exemplo, eu não costumo apreciar a cor da avareza mas não preciso descartar um futuro amigo devido a esta cor se em contrapartida ele tem as cores da verdade e da lealdade bem mais exacerbadas. Eu posso muito bem lidar com esta paleta de cores e só deixar uma anotação mental para não contar com ele para uma necessidade financeira ou não convidá-lo para programas mais dispendiosos se eu não estiver disposta a pagar. Não é simples? Com o preconceito eliminado, eu não preciso deixar de conviver com pessoas, qualidades e cores que me agradam em função de algumas pinceladas desastradas em um quadro bastante agradável.
Tentem exercitar isso com pessoas conhecidas e me digam se não será bem mais fácil de lidar com os "defeitos" alheios.
6 de nov. de 2009
Restaurante macrobiótico
Tenho um amigo que é macrobiótico ativista militante. Conhece o tipo? Sério. Se existe um sindicato, eu tenho certeza de que ele é filiado. O mais impressionante é que ele descobriu a macrobiótica depois de adulto, por recomendação médica, e adorou.
Eu nunca tinha tido a oportunidade de experimentar e, como ele me convidou, eu resolvi conhecer algo novo. Afinal novidades são sempre bem-vindas, não é mesmo? Ele sugeriu que eu entrasse no site do restaurante para escolher o dia da semana que nós iríamos, em função do cardápio que mais me agradasse. Imediatamente eu imaginei que esta "prévia" sugerida por ele fosse fruto de alguns desapontamentos por parte de convidados anteriores. Isso não era exatamente um bom presságio mas eu sou uma pessoa intrépida e não me assusto por pouco. Afinal, eu sou uma mulher ou um pé de coentro?
Segui o conselho dele, entrei no site e não achei a tecla de tradução simultânea. Sim, porque era necessária. O cardápio incluía tortas, saladas e suflês de algumas coisas que eu não consegui sequer imaginar se eram legumes, verduras, frutas ou algum sbruble qualquer que nasce apenas no fundo de alguma fenda marítima.
Medo. Este foi o primeiro sentimento. Mas minha mãe não criou nenhum pé de coentro, como vocês sabem. Não sou mulher de me assustar com um daykon ou um seitan qualquer. Que tragam os talheres!!
O restaurante ficava em um sobrado cujo vizinho de porta era um restaurante de comida nordestina. Vizinhança estranha mas o macrobiótico estava mais cheio. Ponto para o "macrô". Logo ao entrar notei que apesar de cheio, era impressionantemente silencioso lá dentro. As pessoas estavam lá para comer, a conversa era um complemento agradável para ser praticado em tom moderado e respeitoso. Diferente mas eu gostei.
Bom, já que estamos na chuva vamos sapatear nas poças, certo? Pedi logo o especial da casa com todos os acompanhamentos de língua estrangeira a que eu tinha direito. Usei o mesmo critério que usaria se tivesse sido convidada para uma festa na embaixada russa: conhecer e verificar se gosto das pessoas antes de tentar guardar os nomes. Provei tudo e adorei. Comida saborosa, temperada e com uma bela apresentação.
Isso me fez pensar em quantos sabores e experiências perdemos na vida por puro preconceito. Acabei conhecendo novos sabores e tendo a chance de conhecer uma clientela variada e tranquila que inclusive continha alguns tipos muito saudáveis que aparentavam revezar com muita sabedoria a natureza macrobiótica com a proteína da carne. O resultado foi ótimo.
Eu nunca tinha tido a oportunidade de experimentar e, como ele me convidou, eu resolvi conhecer algo novo. Afinal novidades são sempre bem-vindas, não é mesmo? Ele sugeriu que eu entrasse no site do restaurante para escolher o dia da semana que nós iríamos, em função do cardápio que mais me agradasse. Imediatamente eu imaginei que esta "prévia" sugerida por ele fosse fruto de alguns desapontamentos por parte de convidados anteriores. Isso não era exatamente um bom presságio mas eu sou uma pessoa intrépida e não me assusto por pouco. Afinal, eu sou uma mulher ou um pé de coentro?
Segui o conselho dele, entrei no site e não achei a tecla de tradução simultânea. Sim, porque era necessária. O cardápio incluía tortas, saladas e suflês de algumas coisas que eu não consegui sequer imaginar se eram legumes, verduras, frutas ou algum sbruble qualquer que nasce apenas no fundo de alguma fenda marítima.
Medo. Este foi o primeiro sentimento. Mas minha mãe não criou nenhum pé de coentro, como vocês sabem. Não sou mulher de me assustar com um daykon ou um seitan qualquer. Que tragam os talheres!!
O restaurante ficava em um sobrado cujo vizinho de porta era um restaurante de comida nordestina. Vizinhança estranha mas o macrobiótico estava mais cheio. Ponto para o "macrô". Logo ao entrar notei que apesar de cheio, era impressionantemente silencioso lá dentro. As pessoas estavam lá para comer, a conversa era um complemento agradável para ser praticado em tom moderado e respeitoso. Diferente mas eu gostei.
Bom, já que estamos na chuva vamos sapatear nas poças, certo? Pedi logo o especial da casa com todos os acompanhamentos de língua estrangeira a que eu tinha direito. Usei o mesmo critério que usaria se tivesse sido convidada para uma festa na embaixada russa: conhecer e verificar se gosto das pessoas antes de tentar guardar os nomes. Provei tudo e adorei. Comida saborosa, temperada e com uma bela apresentação.
Isso me fez pensar em quantos sabores e experiências perdemos na vida por puro preconceito. Acabei conhecendo novos sabores e tendo a chance de conhecer uma clientela variada e tranquila que inclusive continha alguns tipos muito saudáveis que aparentavam revezar com muita sabedoria a natureza macrobiótica com a proteína da carne. O resultado foi ótimo.
Sucursal do inferno
Eu moro em Jacarepaguá e sou capaz de jurar que o moço lá de baixo está fazendo planos para abrir uma sucursal do inferno por aqui.
O calor anda senegalesco e mal colocamos o pé no verão. Se a tendência for de muita piora teremos passarinhos voando com uma asa só para se abanar com a outra.
Sei que eu sou carioca. Sei que a cidade toda entra num clima de u-huuuu no verão mas eu devo ser uma carioca fora de especificação. O calor impede meu raciocínio, meus movimentos, minha vontade de sair e de fazer qualquer outra ação que você queira relacionar.
Suar me irrita muito. OK. Não vamos generalizar. Existe hora e local para atividades "suadas" mas definitivamente não é o dia inteiro, a toda hora. Nem banho frio tenho conseguido tomar pois a água do chuveiro já chega por aqui quase fervendo.
Está bem. Eu vou respirar, me acalmar e pedir desculpas por resmungar tanto. Você já deve ter percebido que eu devo estar suando até pelo botão do relógio mas mesmo assim manterei a calma. Vou mentalizar azul, me imaginar em um iglu bem fresquinho e ficarei feliz de novo. Pode deixar.
Mas eu tenho certeza que hoje à tarde eu senti um cheiro de enxofre. Ando até com medo de conhecer meu vizinho do andar de baixo.
O calor anda senegalesco e mal colocamos o pé no verão. Se a tendência for de muita piora teremos passarinhos voando com uma asa só para se abanar com a outra.
Sei que eu sou carioca. Sei que a cidade toda entra num clima de u-huuuu no verão mas eu devo ser uma carioca fora de especificação. O calor impede meu raciocínio, meus movimentos, minha vontade de sair e de fazer qualquer outra ação que você queira relacionar.
Suar me irrita muito. OK. Não vamos generalizar. Existe hora e local para atividades "suadas" mas definitivamente não é o dia inteiro, a toda hora. Nem banho frio tenho conseguido tomar pois a água do chuveiro já chega por aqui quase fervendo.
Está bem. Eu vou respirar, me acalmar e pedir desculpas por resmungar tanto. Você já deve ter percebido que eu devo estar suando até pelo botão do relógio mas mesmo assim manterei a calma. Vou mentalizar azul, me imaginar em um iglu bem fresquinho e ficarei feliz de novo. Pode deixar.
Mas eu tenho certeza que hoje à tarde eu senti um cheiro de enxofre. Ando até com medo de conhecer meu vizinho do andar de baixo.
5 de nov. de 2009
Filhos
Criação de filhos é um processo engraçado. Até agora, eu já descobri que a primeira fase é cultivo, a segunda é adestramento e a terceira é torcida. Sabe Deus o que mais vem por aí. Vou explicar.
Na primeira fase eles são bebês e você deve cultivá-los como uma planta muito delicada. Eles precisam de cuidado, atenção, limpeza e alimento. Você ama aqueles pequenos seres simplesmente por eles respirarem. Nesta etapa eles não precisam de muita coisa. Precisam apenas de alimento, muito amor e você, em tempo integral. Em troca, você tem o imenso prazer de ter um milagre em suas mãos e saber exatamente a sensação de ter seu coração andando fora do seu corpo.
Na segunda fase eles já são crianças. Interagem com você e com o mundo. Precisam aprender e aprender e aprender. Você precisa dar a eles todas as informações e formações necessárias para eles se tornarem pessoas que eles mesmos tenham orgulho de ser. Isso é trabalho para anos de adestramento, onde você vai descobrir um milhão e meio de maneiras de dizer a mesma coisa até que eles aprendam e acaba descobrindo que a maior parte deles não escuta uma palavra do que você diz mas são capazes de repetir com exatidão cada uma das suas ações. Apesar da pressão da responsabilidade, você vai amar cada minuto. Em troca, você aprende pelos olhos deles, você recebe o amor mais puro que existe e ajuda a construir um ser humano completo.
Na terceira fase... Ah, a terceira fase. Aqui eles são, com perdão da má palavra, adolescentes. E você torce. É. Torce para que tudo dê certo. Torce para que toda a educação que você deu a eles esteja escondida em algum lugar lá dentro e que um dia encontre de novo seu espaço na vida deles. Torce para que toda aquela irritação e todas aquelas declarações bizarras defendendo o avesso de todos os conceitos que você ensinou sejam passageiros. Torce para que a revolta e a rebeldia percam o fogo com o passar dos anos e deixem apenas um adulto corajoso e questionador em seu lugar. Acima de tudo você torce para que Deus lhe dê paciência e esmalte de dentes mais forte para que eles resistam ao rangerem de desespero. Em troca? Em troca, se você conseguir atravessar esta provação, estará apto a se candidatar a uma vaga de monge budista. No Nirvana. Não é legal?
Namaste para você também.
Na primeira fase eles são bebês e você deve cultivá-los como uma planta muito delicada. Eles precisam de cuidado, atenção, limpeza e alimento. Você ama aqueles pequenos seres simplesmente por eles respirarem. Nesta etapa eles não precisam de muita coisa. Precisam apenas de alimento, muito amor e você, em tempo integral. Em troca, você tem o imenso prazer de ter um milagre em suas mãos e saber exatamente a sensação de ter seu coração andando fora do seu corpo.
Na segunda fase eles já são crianças. Interagem com você e com o mundo. Precisam aprender e aprender e aprender. Você precisa dar a eles todas as informações e formações necessárias para eles se tornarem pessoas que eles mesmos tenham orgulho de ser. Isso é trabalho para anos de adestramento, onde você vai descobrir um milhão e meio de maneiras de dizer a mesma coisa até que eles aprendam e acaba descobrindo que a maior parte deles não escuta uma palavra do que você diz mas são capazes de repetir com exatidão cada uma das suas ações. Apesar da pressão da responsabilidade, você vai amar cada minuto. Em troca, você aprende pelos olhos deles, você recebe o amor mais puro que existe e ajuda a construir um ser humano completo.
Na terceira fase... Ah, a terceira fase. Aqui eles são, com perdão da má palavra, adolescentes. E você torce. É. Torce para que tudo dê certo. Torce para que toda a educação que você deu a eles esteja escondida em algum lugar lá dentro e que um dia encontre de novo seu espaço na vida deles. Torce para que toda aquela irritação e todas aquelas declarações bizarras defendendo o avesso de todos os conceitos que você ensinou sejam passageiros. Torce para que a revolta e a rebeldia percam o fogo com o passar dos anos e deixem apenas um adulto corajoso e questionador em seu lugar. Acima de tudo você torce para que Deus lhe dê paciência e esmalte de dentes mais forte para que eles resistam ao rangerem de desespero. Em troca? Em troca, se você conseguir atravessar esta provação, estará apto a se candidatar a uma vaga de monge budista. No Nirvana. Não é legal?
Namaste para você também.
Que mundo estranho a gente criou...
Toda vez que eu faltava a uma reunião de família ou aparecia lá pelos minutos finais e com a aparência de um figurante de Thriller por causa do trabalho, meu avô me olhava com profunda estranheza e dizia: "Que mundo estranho vocês criaram para vocês."
Eu entendia perfeitamente esta estranheza pois ele desfrutou, na juventude e toda a fase adulta, da possibilidade de trabalhar em um ritmo no qual era possível construir algo de qualidade e ainda poder se dar ao luxo de parar para observar por alguns minutos o fruto deste trabalho. Tudo isso com um salário suficiente para sustentar uma família com dignidade e ainda estar em casa para o jantar, diariamente, às 18h. Trabalho aos finais de semana?? Enlouqueceu? Ele tinha família!!
É, eu sei. Ele também não tinha computadores modernos (sequer antigos) nem filhos com expectativas de estudarem em faculdades de destaque, de fazerem mestrados fora do país nem de terem um carro aos 18 anos. Também não tinha uma esposa que precisasse de altas somas em dinheiro para roupas da moda, aplicações de botox ou pequenas cirurgias estéticas. As necessidades dele também não incluíam carros do ano, lanchas, viagens constantes nem hotéis de luxo.
Talvez possamos pensar que nós acabamos ficando mais escravos do trabalho pois temos ambições maiores do que as de nossos avós. Hoje podemos sonhar com aquisições e experiências que eles sequer imaginariam existir. Podemos também dizer que neste caminho deixamos um rastro comprovado de avanço tecnológico que nos permite viver mais, com mais saúde e mais conforto.
Embora eu consiga perfeitamente relacionar e entender todas estas melhorias alcançadas por nós, não consigo realmente sentir a vida que criamos como "melhor". Sei lá. Eles estavam satisfeitos sem saber da existência de computadores, aplicações de botox, restaurantes caros e mestrados no exterior. E nós? Estamos satisfeitos sem nosso tempo e nossos jantares em família? Sem participarmos do primeiro passeio de bicicleta de um filho ou da competição de natação de outro? Sem conhecermos nossos vizinhos, tendo contato cada vez mais virtual com os amigos? Estamos felizes não considerando o trabalho como parte da nossa vida mas a vida como algo que se faz no pouco tempo em que não estamos no trabalho?
Talvez as próximas gerações acabem se fazendo as mesmas perguntas e encontrando mais satisfação no ser humano ao lado, nas refeições simples e nos prazeres naturais do que no ser cosmético que conhecemos através de uma tela, nos sofisticados e requintados suplementos alimentares e nos prazeres sintéticos e imediatos.
Quem sabe que mundo eles virão a construir para eles mesmos? Desejo consciência e sorte a eles. Ou talvez só deseje mais coração e menos cérebro.
Eu entendia perfeitamente esta estranheza pois ele desfrutou, na juventude e toda a fase adulta, da possibilidade de trabalhar em um ritmo no qual era possível construir algo de qualidade e ainda poder se dar ao luxo de parar para observar por alguns minutos o fruto deste trabalho. Tudo isso com um salário suficiente para sustentar uma família com dignidade e ainda estar em casa para o jantar, diariamente, às 18h. Trabalho aos finais de semana?? Enlouqueceu? Ele tinha família!!
É, eu sei. Ele também não tinha computadores modernos (sequer antigos) nem filhos com expectativas de estudarem em faculdades de destaque, de fazerem mestrados fora do país nem de terem um carro aos 18 anos. Também não tinha uma esposa que precisasse de altas somas em dinheiro para roupas da moda, aplicações de botox ou pequenas cirurgias estéticas. As necessidades dele também não incluíam carros do ano, lanchas, viagens constantes nem hotéis de luxo.
Talvez possamos pensar que nós acabamos ficando mais escravos do trabalho pois temos ambições maiores do que as de nossos avós. Hoje podemos sonhar com aquisições e experiências que eles sequer imaginariam existir. Podemos também dizer que neste caminho deixamos um rastro comprovado de avanço tecnológico que nos permite viver mais, com mais saúde e mais conforto.
Embora eu consiga perfeitamente relacionar e entender todas estas melhorias alcançadas por nós, não consigo realmente sentir a vida que criamos como "melhor". Sei lá. Eles estavam satisfeitos sem saber da existência de computadores, aplicações de botox, restaurantes caros e mestrados no exterior. E nós? Estamos satisfeitos sem nosso tempo e nossos jantares em família? Sem participarmos do primeiro passeio de bicicleta de um filho ou da competição de natação de outro? Sem conhecermos nossos vizinhos, tendo contato cada vez mais virtual com os amigos? Estamos felizes não considerando o trabalho como parte da nossa vida mas a vida como algo que se faz no pouco tempo em que não estamos no trabalho?
Talvez as próximas gerações acabem se fazendo as mesmas perguntas e encontrando mais satisfação no ser humano ao lado, nas refeições simples e nos prazeres naturais do que no ser cosmético que conhecemos através de uma tela, nos sofisticados e requintados suplementos alimentares e nos prazeres sintéticos e imediatos.
Quem sabe que mundo eles virão a construir para eles mesmos? Desejo consciência e sorte a eles. Ou talvez só deseje mais coração e menos cérebro.
Mapeamento Genético
Está aí um assunto sobre o qual eu ainda não tenho uma opinião formada. Calma. Não falo sobre o mapeamento genético em si mas sobre as atitudes de algumas pessoas ao tomar conhecimento deste mapeamento.
Para quem ainda não ouviu falar sobre este tópico ou não conseguiu encontrar a tecla SAP para converter aquele monte de informação técnica em português claro e simples, eu vou tentar fazer um resumo de leiga para leigos. Se você acha que esta informação pode ser muito precária e pouco acurada, muito bem para você! Também acho que você deveria se informar melhor em fontes mais confiáveis. Considerando que este resumo é só uma introdução para os meus palpites, você bem poderia relevar se eu der algum furo ou usar os comentários para partilhar seus conhecimentos conosco.
Há algum tempo estamos trilhando o caminho de decodificar o genoma humano e através de processos complicadíssimos associar cada doença ou característica pessoal a um gene ou posição do gene nos cromossomos. Alguns já estão mapeados, como obesidade, diabetes, alguns tipos de cancer, glaucoma, etc. Com este caminho traçado, algumas pessoas com condições financeiras suficientes para arcar com o custo desta tecnologia podem mandar fazer seu próprio mapeamento e identificar as chances de desenvolver cada uma das doenças mencionadas anteriormente e mais algumas.
A questão que me confunde é que, ao serem notificadas de probabilidades elevadas de desenvolver determinados tipos de cancer, muitas pessoas têm tomado providências muito radicais, na minha opinião. Existem vários casos relatados de extração completa das mamas ou útero feita por mulheres jovens que sequer experimentaram a maternidade. Estas medidas radicais despertam o meu questionamento. Até que ponto uma possibilidade, mesmo que alta, de desenvolver alguma doença justificaria uma mutilação preventiva?
Ainda não consegui chegar a uma resposta satisfatória para esta pergunta mas ela provocou a geração espontânea de uma tonelada de perguntas. O que aconteceu com a fé do ser humano, para acreditar mais na metade vazia do copo do que na metade cheia? Quem me garante que apesar de ter 80% de chances de desenvolver um cancer de mama e 10% de desenvolver diabetes, não será este ultimo que me alcançará? Dependendo da forma que eu conseguir lidar com esta ameaça de doenças apenas possíveis, não poderia o stress gerado causar alguma doença real que a posibilidade fosse anteriormente ínfima?
Não vou relatar aqui todas as perguntas pois são muitas e confusas. Acho que no fundo o que me preocupa é o jogo do "e se" pois ele deve ser jogado com parcimônia e nunca se afastar muito do perímetro onde você se encontra. Acredito que estas duas regras simples nos mantém dentro de limites racionais de especulação. Do contrário, você corre o risco de perder o ponto de equilíbrio e considerar como prováveis algumas possibilidades completamente absurdas.
Como eu digo aos meus filhos quando eles entram muito além do perímetro adequado no jogo do "e se": E se o seu nariz descolar da cara e cair no chão?
Afinal, em tese, isso seria uma possibilidade, não é mesmo?
Para quem ainda não ouviu falar sobre este tópico ou não conseguiu encontrar a tecla SAP para converter aquele monte de informação técnica em português claro e simples, eu vou tentar fazer um resumo de leiga para leigos. Se você acha que esta informação pode ser muito precária e pouco acurada, muito bem para você! Também acho que você deveria se informar melhor em fontes mais confiáveis. Considerando que este resumo é só uma introdução para os meus palpites, você bem poderia relevar se eu der algum furo ou usar os comentários para partilhar seus conhecimentos conosco.
Há algum tempo estamos trilhando o caminho de decodificar o genoma humano e através de processos complicadíssimos associar cada doença ou característica pessoal a um gene ou posição do gene nos cromossomos. Alguns já estão mapeados, como obesidade, diabetes, alguns tipos de cancer, glaucoma, etc. Com este caminho traçado, algumas pessoas com condições financeiras suficientes para arcar com o custo desta tecnologia podem mandar fazer seu próprio mapeamento e identificar as chances de desenvolver cada uma das doenças mencionadas anteriormente e mais algumas.
A questão que me confunde é que, ao serem notificadas de probabilidades elevadas de desenvolver determinados tipos de cancer, muitas pessoas têm tomado providências muito radicais, na minha opinião. Existem vários casos relatados de extração completa das mamas ou útero feita por mulheres jovens que sequer experimentaram a maternidade. Estas medidas radicais despertam o meu questionamento. Até que ponto uma possibilidade, mesmo que alta, de desenvolver alguma doença justificaria uma mutilação preventiva?
Ainda não consegui chegar a uma resposta satisfatória para esta pergunta mas ela provocou a geração espontânea de uma tonelada de perguntas. O que aconteceu com a fé do ser humano, para acreditar mais na metade vazia do copo do que na metade cheia? Quem me garante que apesar de ter 80% de chances de desenvolver um cancer de mama e 10% de desenvolver diabetes, não será este ultimo que me alcançará? Dependendo da forma que eu conseguir lidar com esta ameaça de doenças apenas possíveis, não poderia o stress gerado causar alguma doença real que a posibilidade fosse anteriormente ínfima?
Não vou relatar aqui todas as perguntas pois são muitas e confusas. Acho que no fundo o que me preocupa é o jogo do "e se" pois ele deve ser jogado com parcimônia e nunca se afastar muito do perímetro onde você se encontra. Acredito que estas duas regras simples nos mantém dentro de limites racionais de especulação. Do contrário, você corre o risco de perder o ponto de equilíbrio e considerar como prováveis algumas possibilidades completamente absurdas.
Como eu digo aos meus filhos quando eles entram muito além do perímetro adequado no jogo do "e se": E se o seu nariz descolar da cara e cair no chão?
Afinal, em tese, isso seria uma possibilidade, não é mesmo?
Apresentação
Bem, acho que eu deveria me apresentar, primeiramente. Meu nome é Mônica Camargo e, apesar da descrição do blog, minhas opiniões não são tão definitivas como podem parecer. Na verdade, acho que tenho um talento muito maior para fazer perguntas do que para oferecer respostas. Minha mãe estará sempre disposta e disponível para atestar esta irritante qualidade minha.
Acredito que o grande motivo por trás disso seja esta desconcertante referência que eu tenho a me lembrar que existem milhões de pontos de vista sobre cada assunto e eu não estou necessariamente na melhor cadeira da platéia. Assim sendo, gostaria que minhas opiniões fossem recebidas da forma que foram concebidas: apenas uma opinião.
Ah, sim, muito importante! Lembrem também que eu sempre posso estar errada.
Dito isso, convido-os para seguirem adiante, conhecerem estas opiniões, concordarem, discordarem mas, principalmente, retribuirem os meus palpites e pitacos com os seus próprios. É assim que a brincadeira fica boa.
Sejam todos bem-vindos!
Acredito que o grande motivo por trás disso seja esta desconcertante referência que eu tenho a me lembrar que existem milhões de pontos de vista sobre cada assunto e eu não estou necessariamente na melhor cadeira da platéia. Assim sendo, gostaria que minhas opiniões fossem recebidas da forma que foram concebidas: apenas uma opinião.
Ah, sim, muito importante! Lembrem também que eu sempre posso estar errada.
Dito isso, convido-os para seguirem adiante, conhecerem estas opiniões, concordarem, discordarem mas, principalmente, retribuirem os meus palpites e pitacos com os seus próprios. É assim que a brincadeira fica boa.
Sejam todos bem-vindos!
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